quarta-feira, 30 de março de 2011

As senhas

A grande dor de cabeça para os atendedores.
“Não se consegue agradar a Gregos e Troianos” diz o povo com muita sabedoria.
O facto é que quem lida com público tem sempre isso muito presente.
O sistema de senhas dá um intervalo de espera de alguns segundos. Quando estão várias pessoas a chamar, não podem estar a ver se os seus colegas estão a atender ou a chamar. Automaticamente quando acabam de atender carregam no botão e aguardam o seu cliente. Se for o caso de haver vários atendedores a chamar ao mesmo tempo, apesar de serem poucos os segundos de intervalo, para os clientes com pressa, “os atendedores estão a brincar com eles pois estão a olhar uns para os outros em vez de chamarem logo quando não se acusa ninguém no público”
Entretanto, o que acontece com bastante frequência, é o cliente deixar passar a sua vez, porque estavam distraídos com qualquer coisa. Quando toma conhecimento do sucedido é com bastante irritação que se dirige ao balcão descompondo o funcionário porque não esperou e dá mil e uma desculpas para justificar o facto de não ter visto o seu número a ser chamado. No entanto, não tem a humildade de tão pouco ouvir o atendedor que provavelmente lhe iria dizer para aguardar que já o atende assim que estiver disponível (caso não tenha informação que não há tolerância de senhas).
 Se por acaso ouve o atendedor, mais uma vez lhe falta a humildade para reflectir que quem errou foi ele e não o cliente seguinte, por isso, é bem lógico que o primeiro a ser atendido seja o cliente atento à sua senha, uma vez que já foi chamado, e já está a ser penalizado com alguns minutos de atraso devido à confusão.
 Claro que não estou a dizer que todos os clientes são assim. 
 A maior parte das vezes acontece, que o segundo cliente, tem mais educação e deixa passar o primeiro.
Não é bem mais fácil para todos, quando o cliente em falta se dirige ao atendedor com educação, e lhe pede se a seguir pode ser atendido porque se distraiu e deixou passar a sua vez?




domingo, 27 de março de 2011

CALL CENTRE


Coitado do atendedor de call centre . Como não pode ver o cliente, não o pode identificar na rua, não sabe com quem está a falar, então aí é que é bonito! Se enquanto frente-a-frente o cliente tem por vezes ataques de fúria que chega á agressão, pode-se imaginar o que se diz a uma pessoa que não pode saber com quem está a falar, não vão faltar insultos. Normalmente o cliente que liga já está bastante insatisfeito, (a não ser que seja para uma pequena informação), e muitas das vezes é difícil controlarmo-nos. Eu própria apesar de tentar sempre não projectar a minha insatisfação para cima de um atendedor, já tive de pedir desculpa por me estar a exaltar.  
Agora se o cliente é mal-educado ou covarde por natureza, é muito fácil imaginar o quanto pode ser difícil para o atendedor.
O meu apelo: por favor sr cliente, quando ligar para um call centre, por favor, pense sempre que está a falar com uma pessoa que é muito importante para si, e se gostaria que essa pessoa oiça o que está a dizer. O que não queremos para os nossos ……….  

quarta-feira, 23 de março de 2011

o desgaste dos anos

Costumo dizer que quem atende público devia ter a reforma cinco anos mais cedo.
É verdade; só quem tem este emprego é que sabe dar valor ao que eu estou a dizer.
Um administrativo, também tem o desgaste, as frustrações, os problemas e aborrecimentos acumulados ao longo dos anos, mas o seu dia-a-dia é lidar com papéis, são principalmente estes papéis que se vão relacionar com ele, sofrem em silêncio, enquanto um cliente já não.
E se esse administrativo for cliente?
Todos os manuais ensinam ao atendedor, seja qual for o problema que traz fica á porta do local de trabalho, não entra. Tem de os deixar para trás, e não os transportar para cima do cliente. E no sentido contrário isso não se aplica? Porque é que o atendedor é saco de pancada para todas as frustrações dos clientes?
Como cliente eu tento sempre lembrar-me que muitas vezes se estou a ser atendida por uma pessoa mal disposta, e não fui eu que a pus assim, provavelmente alguém ou alguma coisa o fez. Se eu responder da mesma maneira aquele atendedor vai continuar azedo, se eu responder com bastante calma, atenção e simpatia, provavelmente esse atendedor melhorará a sua postura.
Claro; mas eu sou atendedora, sei que a maior parte das vezes que não conseguimos ser simpáticos e cordiais com um cliente ele não tem culpa nenhuma mas sim o cliente anterior que provavelmente deveria ter ido descarregar energia no ginásio antes e não o fez. 

terça-feira, 15 de março de 2011

estou cheia

Boa noite.
Nunca foi intenção minha escrever um livro seja ele qual for o tema, até porque nunca conclui uma faculdade, aliás nem o primeiro ano conclui, e a minha formação foi na área de números e não letras.
 Quando entrei no mercado de trabalho, apesar de enumeras coisa que fiz, sempre atendi público e sempre tentei ser uma boa atendedora, embora reconheça que nem sempre o consegui, li muito acerca da psicologia do cliente e tive algumas formações dadas pela empresa para a qual trabalho.
Depois de quase 30 anos a atender clientes constatei para minha grande desilusão que no mercado apenas encontramos informação de como o atendedor deve comunicar, entender e servir o cliente, nunca o contrário. Será que o atendedor é uma máquina? Não deve o cliente ser também cordial e educado, e pensar que tem uma pessoa á sua frente com sentimentos e necessidades como os demais? Não deve tambem pensar na maneira de abordar, responder ou simplesmente comunicar com a pessoa que está á sua frente? 
Por estas razões resolvi escrever sobre o assunto, sem qualquer fundo científico, apenas com a observação e experiência que tenho no assunto
Como sou inexperiente nestes assuntos de blogs perdoem-me quem se dignar a ler os meus breves pensamentos se algo estiver incorrecto. A minha intenção é só simplesmente constatar o dia-a-dia e pensar no assunto.
 Tenho esperança que isso me torne uma pessoa melhor, mas gostaria de pensar que pode também ajudar alguém a ser melhor.
Até breve
A atendedora